Alerta sobre risco de super El Niño em 2026 e deficiência de investimentos para prevenção de desastres.
09/07/2026 – 13:59 — O deputado Gilson Daniel (Pode-ES), relator da Comissão Especial sobre Catástrofes Climáticas, afirmou em entrevista à Rádio Câmara nesta quarta (8) que o país está despreparado para um possível super El Niño em 2026. Segundo ele, o problema central é o investimento “quase zero” em prevenção, e por isso defende a aprovação da PEC 44/23 para destinar recursos à preparação municipal e estadual.
Risco e antecedentes
O alerta para um possível super El Niño em 2026 reacende o debate sobre a preparação das cidades brasileiras para enfrentar desastres climáticos extremos. Em 2024, um forte El Niño provocou seca extrema em mais de 80% dos municípios brasileiros e, no Sul, enchentes afetaram mais de 6 milhões de pessoas.
Conforme o deputado, a intensidade do fenômeno, somada às mudanças climáticas, aumenta o risco de ondas de calor, queimadas, secas prolongadas e chuvas intensas.
Investimentos e custo da prevenção
Em entrevista à Rádio Câmara, Gilson Daniel afirmou que os recursos destinados à prevenção são insuficientes. “Nós temos um orçamento aprovado na Câmara e que é encaminhado pelo Executivo, que praticamente não vem com recursos para a prevenção. E os municípios não têm recursos para esse tipo de investimento. Precisam dos governos estaduais e federal”, disse.
Para o relator, os recursos só aparecem no momento da crise, quando o custo do pós-desastre supera o da prevenção. Ele citou levantamentos internacionais que mostram que, a cada um dólar investido, seria possível economizar 15 dólares em recuperação.
Situações locais citadas
Gilson Daniel citou casos específicos como o Rio Grande do Sul, onde muitas pessoas que perderam suas casas nas enchentes retornaram a morar nos mesmos locais de risco. Segundo ele, situação semelhante ocorre em Mimoso do Sul (ES), onde famílias continuam vivendo em áreas vulneráveis.
Proposta constitucional e tramitação
O deputado defende a aprovação da PEC 44/23, que reserva 5% dos valores de emendas individuais de parlamentares e de emendas de bancada para a prevenção de desastres. A proposta já foi aprovada pela Câmara e está em tramitação no Senado Federal.
“Eu acredito que esta PEC talvez seja a maior contribuição que o Parlamento possa dar”, afirmou Gilson Daniel. Ele também defendeu a criação de uma comissão permanente na Câmara para tratar de desastres e manter a pauta em debate contínuo.
Da Rádio Câmara
Edição – Natalia Doederlein
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