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Empregados e aposentados dos Correios seguem pagando desconto de 24% para cobrir rombo do Postalis após perdas atribuídas ao BNY Mellon

18 de junho de 2026
Empregados e aposentados dos Correios seguem pagando desconto de 24% para cobrir rombo do Postalis após perdas atribuídas ao BNY Mellon
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Participantes de audiência na Comissão de Trabalho afirmam que desconto de 24% recai sobre empregados e aposentados dos Correios para cobrir déficit do fundo Postalis.

18/06/2026 – 11:11. Participantes de uma audiência pública na Comissão de Trabalho da Câmara dos Deputados, realizada na quarta-feira (17), relataram que empregados e aposentados dos Correios têm desconto de 24% no contracheque para cobrir o déficit do fundo de pensão Postalis. Segundo debatedores, a cobrança persiste 16 anos após prejuízos atribuídos a investimentos administrados pelo banco BNY Mellon.

Impacto sobre aposentados

O presidente da Associação dos Profissionais dos Correios (ADCAP), Roberval Borges Correia, afirmou que mais de 10 mil pessoas deixaram o plano de previdência devido à cobrança adicional. Ele disse que muitos aposentados recebem entre R$ 1,2 mil e R$ 2 mil e têm dificuldade para arcar com o desconto.

Segundo Correia, “os trabalhadores e aposentados dos Correios contribuíram a vida inteira para formar sua poupança complementar para a aposentadoria. Hoje, quase 1/4 desse valor é descontado no contracheque”. Ele também informou que o benefício de pensão por morte foi extinto.

O dirigente declarou que o BNY Mellon já foi condenado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) e responde a ações judiciais movidas pelo Postalis, pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela ADCAP. Ainda conforme Correia, os recursos não retornaram ao patrimônio do fundo e a atuação dos órgãos responsáveis tem sido lenta.

Dívida bilionária e batalhas judiciais

Leandro Augusto Ferreira Medeiros, diretor de Gestão Previdencial do Postalis, estimou o prejuízo em R$ 15 bilhões. Para equacionar a dívida e evitar a liquidação do plano, informou ele, o valor foi dividido entre os Correios e os participantes do fundo: a empresa pública assumiu R$ 7,6 bilhões e os trabalhadores, o restante.

Medeiros acrescentou que o Postalis mantém ações judiciais para recuperar os valores. “Muitos processos ainda estão em tramitação. Em outros, já houve recuperação de recursos, mas o BNY Mellon continua recorrendo principalmente nos casos de maior valor”, disse. Entre as ações em andamento, ele citou uma ação civil pública movida pelo MPF em 2020, no valor de R$ 8 bilhões, sem decisão final.

Cobrança por punição

Autor do requerimento para a audiência pública, o deputado Luiz Carlos Motta (PL-SP) criticou a falta de punição aos responsáveis pelos prejuízos. Ele afirmou que os atuais funcionários e os aposentados acabam pagando por problemas decorrentes da administração dos fundos de pensão.

O auditor-chefe do TCU, Agostinho Garrido de Carvalho, informou que as condenações impostas ao banco somam R$ 833 milhões. Carvalho explicou que parte desses valores ainda não foi paga por causa de disputas judiciais: uma cobrança de R$ 94 milhões está suspensa por decisão da Justiça, R$ 450 milhões estão em fase de recurso e R$ 286 milhões aguardam decisão final.

Evolução na fiscalização

Durante o debate, o coordenador de fiscalização da Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), Mauricio Nakata, citou o caso do Banco Master para destacar mudanças no modelo de fiscalização adotado pelo órgão. Segundo ele, o monitoramento de riscos impediu que fundos de pensão fechados ligados a empresas privadas ou estatais federais investissem na instituição financeira de Daniel Vorcaro.

Nakata afirmou que nenhuma das entidades supervisionadas pela Previc tinha recursos no Banco Master, o que, segundo ele, demonstra evolução na supervisão e melhora na governança.

Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Marcelo Oliveira

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