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Amazonas

Dia do Artesão celebra saberes tradicionais e valoriza a cultura amazônica

18 de março de 2026
Dia do Artesão celebra saberes tradicionais e valoriza a cultura amazônica
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Data homenageia profissionais que transformam matéria-prima em identidade cultural e fonte de renda

FOTO: Gabi Vitim/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa

Celebrado nesta quinta-feira (19/03), o Dia do Artesão é uma data dedicada a reconhecer o trabalho de homens e mulheres que transformam saberes tradicionais em arte, preservando histórias, identidades e culturas. No Amazonas, o artesanato ganha ainda mais força por carregar elementos da floresta e das tradições dos povos originários.

Mais do que objetos decorativos, o artesanato representa a memória de um povo. No Norte do país, peças como biojoias, grafismos e artefatos produzidos com sementes e fibras naturais expressam a relação direta com a natureza e a ancestralidade, mantendo viva uma tradição transmitida há milhares de anos.

Neste Dia do Artesão, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, reforça a importância de reconhecer e valorizar esses profissionais que, com criatividade e dedicação, mantêm viva a cultura amazônica e transformam matérias-primas em verdadeiras obras de arte que atravessam gerações.

Artesanato como identidade e sustento

O artesão Richardson Pinedo, natural de Tabatinga (distante 1.108 quilômetros de Manaus), é um dos representantes dessa produção cultural. Segundo ele, o contato com o artesanato começou ainda cedo, movido pela curiosidade e admiração pelas peças.

“Na curiosidade mesmo de criar o artesanato com miçangas, porque eu achava muito bonito. Procurei por aulas e fiz cursos no Cetam. Foi lá que a minha mente abriu mais para o artesanato”, contou.

FOTOS: Gabi Vitim/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa

Hoje, Richardson trabalha principalmente com peças feitas a partir de miçangas e biojoias, utilizando materiais orgânicos como sementes e fibras. Suas criações são inspiradas na floresta amazônica e nos elementos que fazem parte do cotidiano da região.

“Eu sempre tento trazer coisas que remetem à nossa Amazônia. Trabalho com figuras de animais, como arara e onça, e também com elementos como o açaí e outras frutas da nossa região”, explicou.

O processo de criação das peças exige planejamento, técnica e atenção aos detalhes. Segundo o artesão, cada peça passa por etapas que vão desde o desenho inicial até a escolha e preparação dos materiais. “Antes de começar, eu faço um rascunho e organizo a quantidade de miçangas que vou usar. É um trabalho detalhado, que demora, mas no final sai uma peça muito bonita”, destacou.

Além do cuidado técnico, Richardson chama atenção para a importância de valorizar todo o processo envolvido na produção artesanal, desde a coleta da matéria-prima até o produto final. “Não é só a peça pronta. Existe todo um trabalho por trás: colher o material, preparar, lixar, pintar. Muitas famílias dependem disso, principalmente comunidades indígenas. O artesanato sustenta casas, famílias inteiras”, afirmou.

Uma ferramenta de transformação

Para o artesão, o trabalho vai além da criação estética. O artesanato também é uma ferramenta de transformação social e econômica, especialmente para comunidades que dependem dessa atividade como principal fonte de renda.

“O artesanato deixou de ser um hobby e virou minha principal fonte de renda. É um trabalho sustentável, não só pela natureza, mas porque sustenta famílias e comunidades”, disse.

FOTOS: Gabi Vitim/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa

Ele também destaca a importância de conscientizar o público sobre o significado das peças, especialmente no caso do artesanato indígena.

“As pessoas, às vezes, compram sem saber o significado. Cada grafismo tem uma história. Por isso é importante mostrar o trabalho, contar o que está por trás, porque as pessoas compram também pela experiência e pela história”, explicou.

Incentivo e reconhecimento

Ao falar sobre o futuro, Richardson destaca que seu maior objetivo já está em andamento: dar visibilidade a outros artesãos e compartilhar conhecimento.

“Eu tento passar o que sei para outras pessoas, principalmente para quem não tem acesso. Muitas vezes são indígenas ou pessoas de comunidades que não conseguem pagar cursos. Isso, para mim, já é muito gratificante”, afirmou.

Como conselho para quem deseja iniciar no artesanato, ele reforça a importância da valorização do próprio trabalho.

“Não tenham vergonha. É um trabalho digno, é uma terapia e também uma forma de sustento. Mostrem o trabalho de vocês, tenham orgulho. Quando a gente valoriza o nosso trabalho, a gente valoriza o trabalho de todos”, concluiu Richardson.

Assuntos Agência Amazonas, Governo do Amazonas, Governo Wilson Lima, SECOM
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