As ações terapêuticas são voltadas ao fortalecimento da aprendizagem, como comunicação, leitura, escrita e organização da rotina escolar
FOTOS: Lia Cardoso/CHS
O acompanhamento terapêutico realizado nos Centros de Atenção Integral à Criança com Transtorno do Espectro Autista (Caics TEA) tem impulsionado o desenvolvimento escolar dos pacientes atendidos. As intervenções são direcionadas ao fortalecimento de habilidades essenciais para o processo de aprendizagem, como comunicação, leitura, escrita, atenção e organização da rotina escolar.
As unidades integram a rede de atenção especializada da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM). Contam com equipes multiprofissionais que acompanham de forma individualizada as demandas pedagógicas apresentadas pelas crianças. Nesse contexto, a psicopedagogia desempenha papel estratégico na consolidação da base da aprendizagem.
“Acreditamos que o desenvolvimento escolar da criança com TEA deve considerar suas potencialidades e singularidades. Nos Caics TEA, atuamos de forma integrada com equipes e famílias para garantir intervenções baseadas em evidências, humanizadas e voltadas à autonomia e inclusão”, reforça Danielle Jaques, diretora-geral da Rede Teia Agir, instituição responsável pela execução dos atendimentos na unidade.
FOTOS: Lia Cardoso/CHS
De acordo com a psicopedagoga do Caic TEA Gilson Moreira, Amanda Raquel, o acompanhamento tem início com uma avaliação individualizada para identificar o repertório de aprendizagem de cada criança. “Primeiro, observamos quais habilidades ela já possui e as que ainda precisam ser desenvolvidas. Muitas vezes, antes das habilidades acadêmicas, é necessário trabalhar competências básicas, como sentar, esperar, imitar, compreender comandos e atender demandas”, explicou.
Amanda Raquel ressalta ainda que, durante o processo de intervenção, a equipe utiliza metodologias estruturadas, como o Protocolo Portage, instrumento de avaliação do desenvolvimento infantil, aliadas a estratégias individualizadas que priorizam o brincar, como ferramenta central de aprendizagem.
“Também são trabalhadas a coordenação motora fina e a grafomotricidade, preparando gradualmente a criança para o uso do lápis e para a escrita. Recursos pedagógicos adaptados, atividades de pareamento, encaixe, noções de cores, tamanhos e quantidades são aplicados de forma lúdica e progressiva, sempre respeitando o ritmo de cada paciente”, destacou.
FOTOS: Lia Cardoso/CHS
Desenvolvimento
Os resultados desse acompanhamento integrado já podem ser percebidos na prática. Segundo Daniele Sicsú, mãe do paciente Victor, foi no Caic TEA José Contente, na zona leste de Manaus, que o filho aprendeu a ler e, pela primeira vez, conseguiu permanecer sozinho em sala de aula com os colegas e o professor, sem precisar do auxílio constante da família.
“O Victor tem 11 anos e ainda não lia. Após o início das terapias, ele aprendeu a ler e está mais desenvolvido em sala de aula, com melhora na coordenação motora e redução de comportamentos repetitivos. Quando são estimulados da maneira certa, eles mostram todo o potencial que têm. É muito emocionante para uma mãe ver seu filho lendo e se desenvolvendo”, emocionou-se.