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Comissão na Câmara debate regulamentação dos teleoperadores após denúncias de condições de trabalho

23 de junho de 2026
Comissão na Câmara debate regulamentação dos teleoperadores após denúncias de condições de trabalho
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Audiência na Câmara dos Deputados em 23/06/2026 – 18:57 ouviu denúncias de violações trabalhistas entre teleoperadores.

Operadores de telemarketing denunciaram violações trabalhistas e defenderam a aprovação de projetos de lei para regulamentar a profissão durante audiência realizada em 23/06/2026 pela Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial da Câmara dos Deputados. Representantes dos trabalhadores afirmaram que as propostas enfrentam resistência de empresários do setor.

Precarização e denúncias

A diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações do Rio Grande do Sul (Sintetel-RS), Crislaine Carneiro, afirmou que a precarização atinge cerca de 1,5 milhão de teleoperadores no País. Segundo ela, “de norte a sul, é muito parecido: o nosso setor tem uma cultura de exploração” e o lucro das empresas ocorre em cima do adoecimento mental dos trabalhadores.

Fiscalização

O Conselho Nacional de Direitos Humanos fiscalizou as condições de trabalho em São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Norte. De acordo com o relatório, foram identificados falta de equipamentos, metas consideradas abusivas, terceirização elevada e baixos valores de auxílio-alimentação.

O documento também registra relatos de assédio moral, limitação do tempo para uso do banheiro e altos índices de adoecimento, com menção a casos de síndrome do pânico e síndrome de burnout.

A diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Telecomunicações de São Paulo (Sintetel-SP), Angélica Pereira, afirmou que essas situações “adoecem fisicamente” e “adoecem emocionalmente”, e que muitos trabalhadores não conseguem permanecer na função sem que haja uma deploração da saúde e da vida pessoal.

Regulamentação profissional

Representantes sindicais e integrantes do Conselho Nacional de Direitos Humanos defenderam a regulamentação da profissão. Entre as medidas propostas estão piso salarial nacional; jornada de 6 horas diárias de atendimento; escala de trabalho 5×2; parâmetros de proteção à saúde; e adicionais de insalubridade e penosidade.

Iara Martins, representante da Federação Nacional dos Trabalhadores em Telecomunicações (Fenattel) e presidente do Sintetel-RN, afirmou que a legislação atual não acompanha as mudanças do setor: “A legislação para proteger essa categoria está desfocada da realidade, dado o avanço imenso da tecnologia nesse setor.”

Posição das empresas

O vice-presidente regulatório da Federação Nacional das Empresas de Infraestrutura de Telecomunicações e Tecnologia (Feninfra), José Américo, alertou para possíveis efeitos adversos da regulamentação. Conforme ele, “ao querer proteger o trabalhador, pode estar criando uma regra de estimular a robotização e reduzir os postos de trabalho dentro de uma atividade que é importante socialmente”.

Perfil da categoria

Dados da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) indicam que o Brasil tem 407 mil teleoperadores ativos. Segundo os números apresentados na audiência, 67% são mulheres; 61% são pessoas negras; a idade média varia entre 31 e 33 anos; e a remuneração média fica entre R$ 1.685 e R$ 1.897.

Projeto de lei

A deputada Erika Kokay (PT-DF), que solicitou o debate, defendeu a regulamentação profissional dos teleoperadores e citou o Projeto de Lei 2196/25, apresentado pelo deputado Reimont (PT-RJ), em análise pela Câmara dos Deputados. Ela afirmou que é preciso avançar com a proposta e destacou que o projeto é terminativo nas comissões: se não houver recurso, “ele estará pronto para ir ao Senado”.

Próximos passos

Erika Kokay sugeriu a criação de um observatório sobre a saúde dos operadores de telemarketing, o reforço da fiscalização trabalhista e a instalação de uma mesa permanente de negociação entre trabalhadores, empresários e governo. Segundo a deputada, o objetivo é buscar consensos para melhorar as condições de trabalho da categoria.

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Geórgia Moraes

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