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Amazonas

Escola estadual de Parintins conquista título nacional em olimpíada sobre história e cultura afro-brasileira e indígena

23 de fevereiro de 2026
Escola estadual de Parintins conquista título nacional em olimpíada sobre história e cultura afro-brasileira e indígena
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Estudantes da Escola Estadual Senador João Bosco garantem 1º lugar na Obereri e reforçam protagonismo juvenil e educação antirracista na rede estadual

FOTOS: Eduardo Cavalcante / Secretaria de Educação e Cristiana Butel/ Arquivo Pessoal

A Escola Estadual (EE) Senador João Bosco, localizada no município de Parintins (distante 369 quilômetros de Manaus), conquistou o 1º lugar na etapa nacional da 2ª edição da Olimpíada Brasileira de História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena (Obereri). A competição reúne estudantes de todo o país em torno de reflexões sobre relações étnico-raciais, valorização das culturas tradicionais e produção de conhecimento científico na educação básica.

A edição mais recente da olimpíada contou com a participação de 1.773 escolas, 1.512 professores, 1.560 equipes e 13.688 estudantes de todo o Brasil. Do Amazonas, 17 escolas estiveram presentes na competição.

Além do título nacional, o estudante Enzo Cruz, de 16 anos, integrante da equipe campeã, foi contemplado com bolsa de Iniciação Científica Júnior, voltada ao aprofundamento dos estudos nas temáticas abordadas pela olimpíada.

Protagonismo estudantil e trabalho coletivo

A equipe vencedora, formada pelas alunas Rosa Monteverde, Clara Juliana, Manuela Rendeiro, Letícia de Araújo e pelo estudante Enzo Cruz, desenvolveu as atividades com foco no racismo ambiental e em suas implicações para comunidades tradicionais.

“O racismo ambiental era um assunto que pouco tínhamos contato. Fomos entendendo melhor ao decorrer das atividades e percebendo que ele sempre esteve lá. Essa conquista representa voz. Representa jovens da Amazônia debatendo temas globais com seriedade e propriedade”, destacou o estudante.

Durante a competição, os alunos produziram artigos científicos, responderam a questionários interdisciplinares e criaram um podcast com propostas pedagógicas voltadas à realidade local. Entre os temas abordados, estiveram a crise climática, a valorização dos conhecimentos tradicionais, a realidade dos povos indígenas e quilombolas, além de referências culturais amazônicas.

“Vencer a olimpíada foi a confirmação de que todo o nosso esforço valeu a pena. A bolsa impacta diretamente minha vida acadêmica e representa mais oportunidades e responsabilidade de continuar estudando e fazendo a diferença”, completou Enzo.

Mediação docente e práticas pedagógicas reconhecidas

Na unidade de ensino, a equipe foi orientada pela professora de História Cristiana Butel, que destacou o protagonismo dos estudantes durante todo o processo.

FOTO: Eduardo Cavalcante / Secretaria de Educação e Cristiana Butel/ Arquivo Pessoal

“É uma olimpíada que fala sobre temas importantíssimos para a sociedade brasileira. Quando tomei conhecimento, não pensei duas vezes e inscrevi as equipes. Mas fui realmente uma orientadora e mediadora; o protagonismo do desenvolvimento dos projetos e das escolhas foi todo deles”, ressaltou a docente.

A professora também teve o trabalho reconhecido recentemente ao vencer a 2ª edição do prêmio “Educadores que Transformam”, da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar, com o projeto “Puxirum: tecendo memórias, culturas e resistências na Escola João Bosco”.

Trajetória de destaque do município

Parintins já havia alcançado resultados expressivos na primeira edição da Obereri, em 2024, quando uma equipe da Escola Estadual de Tempo Integral Deputado Gláucio Gonçalves chegou à fase nacional e conquistou bolsas de estudo. Em 2025, o número de equipes participantes do município aumentou para seis, demonstrando o fortalecimento das práticas pedagógicas voltadas à educação para as relações étnico-raciais na rede estadual.

Educação antirracista e formação científica

A Obereri é fundamentada nas Leis nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, que tornam obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas. A proposta incentiva o trabalho coletivo entre escola, professores e estudantes, promovendo pesquisa, produção científica e reflexão crítica sobre a sociedade.

Além de medalhas e troféus, as escolas com melhor desempenho recebem o selo de escola antirracista, reconhecendo o compromisso com a valorização da diversidade e a equidade étnico-racial.

A conquista da Escola Estadual Senador João Bosco evidencia o protagonismo dos estudantes da rede estadual do Amazonas e o papel da educação pública na formação de jovens pesquisadores comprometidos com a transformação social.

Assuntos Agência Amazonas, Governo do Amazonas, Governo Wilson Lima, SECOM
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